Na cidade dos mortos, onde as lápides erguiam-se como sentinelas silenciosas, o tempo parecia ter parado. O sol brilhava com uma luz pálida, filtrada pelos ramos retorcidos das árvores, que pareciam dançar ao sabor do vento frio.


Entre as lápides e os monumentos funerários da cidade fantasma, o vento frio sussurrava histórias de vidas que já não existiam mais e também que nem deveriam ter existido. Mas mesmo assim eu caminhava com passos lentos, contemplando os nomes gravados nas lápides, que me faziam lembrar de mortos que eu nunca esquecerei, com a mesma intensidade que quero esquecer também muitos vivos que para mim já morreram a muito tempo.

 

Era nesse ambiente de silêncio e solidão que o meu pensamento se perdia em memórias de mortos que jamais esqueceria, e também de vivos insepultos que já deveriam estar enterrados nos cemitérios do esquecimento. Eu sabia que a cidade dos mortos era um lugar de memórias, de histórias enterradas sob a terra e que cada sepultura era uma porta para o passado, para uma vida que já não existia mais, mas que ainda ecoava em minha mente como um sussurro inquietante.                                                                                   

Era um lugar de silêncio, de solidão, onde as únicas vozes eram as dos mortos que habitavam aquele espaço eterno. Entre as lápides e os jazigos, eu me sentia efêmero, pequeno e insignificante, como se estivesse cercado por uma realidade que ia além da compreensão humana. Era como se a morte fosse uma entidade palpável, que me cercava por todos os lados, me lembrando da fragilidade da existência humana diante da imensidão da eternidade. Mas também me sentia vivo, pulsando com a energia da vida que ainda fluía em minhas veias, pois havia também uma estranha beleza na cidade dos mortos.            

 

As estátuas de anjos e os monumentos em mármore pareciam sair de um sonho, como se a morte fosse capaz de transformar o mundo em uma obra de arte viva. E assim, entre os mortos e os vivos que já deveriam ter morrido, eu caminhava, em busca de um sentido para minha existência, sabendo que um dia também eu seria uma das tumbas erguidas naquela cidade silenciosa. Só queria viver para saber de que lado do cemitério seria enterrado: do lado das pessoas boas, ou do lado das pess... Fui!

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