No entanto, mesmo na escuridão, algumas verdades não podem ser ocultadas. Elas se revelam como pequenas luzes que se acendem em meio ao breu da consciência daqueles que reconhecem que suas vidas não tem todas as respostas, e que não podiam enganar a si mesmos para sempre.
Em uma noite como
qualquer outra, a cidade era tomada pela escuridão. As estrelas brilhavam
timidamente no céu, iluminando levemente o caminho, como se temessem despertar
a atenção dos transeuntes que, com seus passos apressados, pareciam fugir do
tempo. As sombras dos edifícios se erguiam imponentes, escondendo segredos e
mistérios que apenas a noite conhecia. E nessa noite, como em tantas outras, as
pessoas se deixavam envolver pela ilusão de que podiam enganar a si mesmas,
ignorando as verdades que se escondiam por trás da escuridão.
Alguns gostavam de
repetir a máxima de que não se pode enganar a todos o tempo todo, mas o que não
percebiam era que, na realidade, alguns se enganavam todo o tempo. E naquela
noite, isso não era exceção. O homem que caminhava pela rua, com a cabeça baixa
e o coração pesado, era um desses. Ele tentava ignorar as verdades que o
cercavam, iludindo-se com a ideia de que tudo ficaria bem e que as coisas se
resolveriam por si mesmas.
Mas a verdade era que
ele sabia, no fundo de seu ser, que as coisas não eram tão simples assim, pois
o seu redor estava repleto de pessoas que se enganavam. Algumas estavam tão
acostumadas a mentir para si mesmas que mal se davam conta disso. E assim as
luzes da cidade pareciam se apagar, deixando apenas a escuridão, onde os
prédios pareciam se encolher, como se estivessem tentando se esconder da
vergonha alheia daqueles que mesmo mais conscientes de sua própria farsa, ainda
assim escolhiam seguir adiante com ela.
Algumas pessoas
recolhiam-se, como se estivessem se escondendo, com medo de enfrentar a
verdade. No entanto, mesmo na escuridão, algumas verdades não podem ser
ocultadas. Elas se revelam como pequenas luzes que se acendem em meio ao breu
da consciência daqueles que reconhecem que suas vidas não tem todas as respostas,
e que não podiam enganar a si mesmos para sempre. E foi assim que o homem,
finalmente, percebeu que não podia mais se enganar.
Ele olhou para o céu,
buscando alguma resposta, alguma luz que pudesse guia-lo. Mas agora o céu
estava escuro, sem estrelas, sem lua, apenas a escuridão. Então, ele
compreendeu que a verdade estava dentro dele mesmo. Que ele não poderia mais se
enganar, não poderia mais fugir. Era hora de encarar a realidade e assumir as
consequências de suas escolhas. E enquanto as estrelas continuavam a brilhar
timidamente no céu, como se esperando o momento em que as pessoas finalmente
escolheriam parar de se enganar e começar a viver de verdade.
Ele retira sua máscara
e deixa para trás suas ilusões, e com toda sua coragem ele enfrenta a verdade.
Pois, afinal, se em meio de toda essa farsa não há mais como enganar a si mesmo
o tempo todo, não tem mais como simplesmente não escolher aceitar a verdade. E
assim continuou caminhando pela cidade, observando os outros com uma mistura de
compaixão e tristeza, sabendo que muitos deles nunca seriam capazes de enxergar
e outros de aceitarem suas tristes realidades.
E assim, a cidade
permanecia mergulhada na ilusão, e a noite continuava a passar, silenciosa com
sua névoa escura exalando um ar de reprovação e indignação sobre a hipocrisia
reinante. Era como se a própria cidade soubesse da verdade, mas preferisse
manter-se em um estado de negação, como se a mentira fosse mais confortável do
que a verdade.
E assim, a noite também
seguia seu curso, como um rio que corre para o mar, levando consigo os segredos
e as mentiras que permeavam cada canto da cidade. E enquanto a cidade dormia,
sonhando com uma realidade que nunca existiu, a verdade aguardava pacientemente
o momento de ser revelada, como uma rosa que espera o sol para desabrochar.
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