E, quem sabe, um dia ela encontraria o seu caminho de volta para si mesma. Ou talvez ela já estivesse lá, bem no fundo de seu coração, esperando para ser descoberta.


Caminhando pelas ruas escuras da cidade, ela sentia-se como uma estranha em sua própria vida. Tudo parecia tão familiar e ao mesmo tempo tão desconhecido. Como se ela tivesse vivido uma vida inteira em um mundo paralelo, apenas para acordar em um dia cinzento e nebuloso, sem saber quem era ou como chegou ali. Era uma sensação estranha, mas ao mesmo tempo reconfortante. Ela sentia-se livre, livre da bagagem do passado, livre das expectativas do futuro, livre para ser quem ela quisesse ser. E, no entanto, havia uma tristeza em seu coração, uma tristeza que ela não conseguia explicar.                                     

 

Talvez fosse a sensação de não pertencer a lugar algum, de não ter raízes, de não ter laços. Ou talvez fosse a saudade de si mesma, da pessoa que ela costumava ser antes de se perder na escuridão da vida. Ela se perguntava se alguém notava sua ausência, se alguém se preocupava com o seu paradeiro. Talvez sim, talvez não. Mas isso não importava mais. Ela estava sozinha no mundo, mas ao mesmo tempo em paz consigo mesma.

 

E assim ela caminhava, sem destino, sem rumo, sem pressa. Observando as pessoas passarem por ela, como se fossem personagens em um livro que ela não conseguia ler. E ela sorria, um sorriso triste, mas sincero, sabendo que mesmo que não se conhecesse mais, ela ainda era capaz de sentir, de amar, de sonhar.         

 

E, quem sabe, um dia ela encontraria o seu caminho de volta para si mesma. Ou talvez ela já estivesse lá, bem no fundo de seu coração, esperando para ser descoberta. E ela seguiria caminhando, seguindo o seu próprio destino, mesmo que fosse um destino estranho, desconhecido, mas que era seu, ou não.

Comentários