Estranho o paradoxo dos achologistas que com pouco estudo acadêmico, mas altamente desatualizados pelo Instagram, completamente desinformados pelo Facebook e nenhuma pesquisa Googleana, serem extremamente capazes de opinar sobre tudo, mostrando que o mal das pessoas com pós-graduação no WhatsApp, nem é a sua ignorância em si, mas o simples fato de saberem muitas, mas tudo ao contrário.

 


Muitas pessoas caminham pela vida, vendo o mundo de cabeça para baixo, interpretando os fatos ao contrário, acreditando piamente em suas próprias falácias. Mas o pior de tudo é que essa falta de conhecimento formal, essa ignorância orgulhosa, acaba contaminando até mesmo aqueles que têm uma formação acadêmica sólida.

 

Na vida social, esses indivíduos ostentam suas opiniões mal fundamentadas, acreditando que a sua pós-graduação lhes confere uma superioridade intelectual inquestionável. Mas na vida pessoal, essa ignorância disfarçada de erudição é ainda mais perigosa do que a ignorância pura e simples, pois é a prova de que o conhecimento sem reflexão é uma arma perigosa nas mãos dos tolos.

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Eis aqui um enigma dos tempos modernos, tão complexo quanto intrincado, um paradoxo digno de análise minuciosa: os achologistas. Esses seres que, com pouco estudo acadêmico e nenhuma vontade de atualização, encontram na web um portal de desinformação e um universo paralelo de opiniões que flutuam como nuvens sem direção.

 

São seres que não só propagam opiniões sobre tudo e todos, sem qualquer fundamento sólido, mas munidos de uma convicção cega e irrefutável, mas também se apegam à sua ignorância com afinco, e a proliferam com fervor, mesmo sem ter qualquer embasamento teórico ou prático. Transitam pelas redes sociais com desenvoltura, e com um clique, buscam em fontes incertas o que julgam ser a verdade, ou o que querem que seja a verdade.                          

Como explicar essa contradição, esse descompasso entre o conhecimento formal e a habilidade de argumentação? Talvez a resposta esteja na fonte de informação desses achologistas, tão alheios às bibliotecas quanto íntimos dos feeds de notícias. Eles se nutrem do Instagram, do Facebook e das pesquisas Googleanas, como se fossem as únicas fontes confiáveis de informação no mundo.

 

O problema é que, ao contrário do que pensam, essas redes não são a chave para a sabedoria, mas sim uma armadilha para o pensamento preguiçoso e para a superficialidade daqueles que não querem se aprofundar. Assim, os achologistas se veem aprisionados numa bolha de informação parcial, onde a verdade é medida em curtidas e compartilhamentos, e o conhecimento é medido em memes e gifs engraçados.      

 

Eles se convencem de que sabem tudo sobre todos os assuntos, quando na verdade, estão apenas recitando clichês e senso comum, sem qualquer substância real. Para eles, não há verdade absoluta, mas sim uma gama de verdades relativas, que se moldam ao sabor do vento, das modas, das conveniências pessoais. Tanto que seus julgamentos, apressados e superficiais, são muitas vezes tão absurdos que beiram o inacreditável. Mas eles não se importam. São cegos pelo próprio ego, pela necessidade de estar certo, de ter a razão a qualquer custo.

 

E assim, nós nos encontramos num mundo onde a ignorância é elevada à categoria de virtude, onde o conhecimento é medido em curtidas e a sabedoria é definida pela popularidade. O paradoxo dos achologistas é, na verdade, um alerta para todos nós, uma lembrança de que o conhecimento verdadeiro exige esforço, reflexão e humildade.

 

E que, sem essas virtudes, estamos condenados a seguir cegamente as opiniões de outros, sem jamais encontrar nossa própria voz. E assim, seguem sua jornada, alimentando o vazio com o próprio ego inflado, acreditando que sabem tudo, quando, na verdade, não sabem nada.

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